Violência

 

Os refugiados sirios

Texto de 

Dos 22 milhões de Sírios, uns incríveis 6 milhões são agora refugiados, um número que infelizmente só terá tendência para aumentar.

Estas estatísticas são chocantes, mas a realidade é que esta brutal guerra civil não está nem perto do seu desfecho. Os rebeldes islamistas continuam a somar vitórias na Síria tendo-se apoderado, só na última semana, de uma importante base aérea na província setentrional de Idlib, após um cerco de dois anos.

Entretanto, e apesar da acção militar levada a cabo pelos EUA e os seus aliados durante anos, o Estado Islâmico (EI) e outros grupos islamistas continuam a sua brutal carnificina na região, levando impunemente a cabo um verdadeiro genocídio às portas da Europa. A imagem do pequeno Aylan Kurdi sem vida numa praia de Bodrum é o corolário do falhanço mundial nesta matéria. Pelo bem da humanidade, temos o dever de atuar agora para ajudar a pôr termo a este conflito e trazer alguma estabilidade àquela região.

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Violência urbana no Brasil

Texto de Eduardo de Freitas

É inegável que vivemos dias difíceis, a violência em toda sua plenitude tem envolvido grande parte da sociedade mundial. No Brasil, a violência tem feito milhares de vítimas, em alguns casos esse ato é praticado pela própria família, além de inúmeros outros ocorridos nas ruas.

Ao observarmos o quadro atual da violência urbana, muitas vezes não nos atentamos para os fatores que conduziram a tal situação, no entanto, podemos exemplificar o crescimento urbano desordenado. Em razão do acelerado processo de êxodo rural, as grandes cidades brasileiras absorveram um número de pessoas elevado, que não foi acompanhado pela infraestrutura urbana (emprego, moradia, saúde, educação, qualificação, entre outros); fato que desencadeou uma série de problemas sociais graves.

A violência urbana tem ocasionado a morte de milhares de jovens no Brasil, é o principal fator de mortandade dessa faixa etária.
A criminalidade não é um “privilégio” exclusivo dos grandes centros urbanos do país, entretanto o seu crescimento é largamente maior do que em cidades menores. É nas grandes cidades brasileiras que se concentram os principais problemas sociais, como desemprego, desprovimento de serviços públicos assistenciais (postos de saúde, hospitais, escolas etc.), além da ineficiência da segurança pública. Tais problemas são determinantes para o estabelecimento e proliferação da marginalidade e, consequentemente, da criminalidade que vem acompanhada pela violência.

Os bairros marginalizados das principais cidades brasileiras respondem por aproximadamente 35% da população nacional, nesses locais pelo menos a metade das mortes são provocadas por causas violentas, como agressões e homicídios. Isso é explicado quando nos deparamos com dados de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde 21% de todas as mortes são provenientes de atos violentos.
Essa situação retrata a ineficiência do Estado, que não tem disponibilizado um serviço de segurança pública eficaz à sua população. Enquanto o poder do Estado não se impõe, o crime organizado se institui como um poder paralelo, que estabelece regras de ética e conduta própria, além de implantar fronteiras para a atuação de determinada facção criminosa.

Algumas cidades do país apresentam um percentual de mortandade proveniente de atos de violência que equivale aos do Iraque, país em guerra.
O Brasil responde por 10% de todos os homicídios praticados no mundo, segundo dados de um estudo realizado a pedido do governo suíço, divulgado no ano de 2008, em Genebra.

 


 

Texto de Stênio Ribeiro

A violência urbana aumentou nos últimos anos, na avaliação de 76,8% dos 2 mil entrevistados em pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada hoje (18). Para 22,9% dos pesquisados não houve aumento. A pesquisa, feita em 137 municípios de diferentes regiões, de 9 a 14 deste mês, revela que o assalto à mão armada é o tipo de violência mais temida pelos entrevistados. Eles também temem, por ordem decrescente: roubo seguido de morte, roubo a residência, estupro e sequestro-relâmpago.

A pesquisa também avaliou a percepção dos entrevistados sobre o “rolezinho” – encontro marcado por jovens da periferia, que usam as redes sociais na internet para agendar encontros em centros comerciais. Para 54% dos entrevistados, o principal objetivo é promover a desordem, enquanto 19,7% acham que a meta é promover saques em lojas dos shopings. Apenas 12% enxergam o fenômeno como uma forma de protesto, e 11% acreditam que é apenas por diversão.

No geral, a prática do “rolezinho”, iniciada no ano passado, é desaprovada por 87,7% dos pesquisados, e 84,5% deles consideram que o fenômeno deve ser reprimido para evitar desordem nos shopings. Mas 65% condenam a atitude adotada por alguns estabelecimentos, de selecionar as pessoas que podem frequentá-los.

Em relação à política, o grau de interesse do brasileiro na eleição para presidente da República, no próximo mês de outubro, está baixo, de acordo com pesquisa da CNT: 32,7% revelaram total desinteresse, 29,4% demonstraram pouco interesse, 22,4% declararam interesse médio e 15% se revelaram muito interessados na eleição presidencial.

via Pesquisa mostra aumento da percepção de violência urbana | Agência Brasil.

 


 

O discurso

Robert Kennedy

“A violência não é uma preocupação exclusiva de um grupo. As vítimas da violência são negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, famosos e desconhecidos. São, acima de tudo, seres humanos que outros seres humanos amavam e de quem precisavam.
O que foi que alguma vez se conseguiu com violência? O que foi que alguma vez (a violência) criou (de bom)?
Sempre que a vida de um homem é tirada por outro homem, quer seja em nome da Lei, quer em desafio à Lei; por um homem ou por um bando; à sangue frio ou numa fúria descontrolada; num ataque de violência ou em resposta a violência; sempre que destruímos a rede de vidas que outro homem, penosamente e com dificuldade, construiu para si e para os seus filhos, sempre que se faz isso, toda (a sociedade) se degrada, e, no entanto, parece que toleramos (cada vez mais) um nível crescente de violência que ignora a nossa comum humanidade e o nosso direito à civilidade.
Com muita freqüência honramos a agressividade, aceitamos quem usa da força. Com demasiada freqüência desculpamos os que querem construir as suas vidas sobre os sonhos destroçados de outros seres humanos. Mas uma coisa é certa: violência gera violência, repressão gera retaliação. Só uma limpeza (mental) de toda a nossa sociedade pode remover esta doença das nossas almas (esta tolerância para com a violência).
Porque quando se ensina um homem a odiar e a temer o seu irmão; quando se ensina que ele é um ser inferior por causa da sua cor ou das suas crenças, ou das suas posições políticas; quando se ensina que quem é diferente de nós ameaça a nossa liberdade, ou o nosso trabalho, ou a nossa casa, ou a nossa família, então também aprendemos a confrontar os outros não como concidadãos, mas como inimigos; não a negociarmos com paz, mas a vencermos com violência. (Assim) ao sermos subjugados e dominados (pelo medo) aprendemos finalmente a vermos os nossos irmãos como estranhos. Estranhos com quem partilhamos uma cidade, mas não uma sociedade. Homens ligados a nós por um espaço comum, mas não num esforço comum.
Aprendemos (sim) a partilhar apenas um medo comum, apenas um desejo comum de nos afastarmos uns dos outros, apenas um impulso comum de enfrentar o desacordo com a força.
As nossas vidas neste planeta são muito curtas, o trabalho (para melhorá-lo e) a ser feito é demasiadamente grande para deixarmos que esta situação (de violência) prossiga neste nosso mundo. Claro que não podemos bani-la com um programa de governo, nem com uma resolução judicial.
Mas talvez possamos lembrar-nos, mesmo que seja só por um instante, que todos os que vivem conosco (neste mundo) são nossos irmãos e que partilham conosco o mesmo curto momento de vida; que eles procuram, como nós, apenas a oportunidade de viver as suas vidas com um propósito e com felicidade, conseguindo a satisfação e a (máxima) realização que puderem.
Certamente, este laço de destino comum, este laço de objetivos comuns, pode começar a ensinar-nos alguma coisa. Certamente podemos aprender pelo menos a olhar em volta, para o próximo e, certamente, podemos começar a esforçar-nos um pouco mais para sarar as feridas entre nós. E tornar-nos, dentro dos nossos corações, irmãos e companheiros de novo.”


 

A violência em si não faz parte do campo de estudo específico da medicina. Entretanto, sabe-se que o medo da violência urbana pode interferir na mente e no corpo das pessoas.

O medo exacerbado e sem limites pode gerar excesso de prevenção e desencadear distúrbios. Esses distúrbios podem ser de ordem física, como taquicardia, hipertensão, úlcera, tensão muscular e queda de imunidade. Também podem causar transtornos mentais, desde neurose e paranóia até síndrome do pânico.

O problema se torna evidente quando a pessoa é dominada por um sentimento de medo muito mais intenso que o existente na maioria dos indivíduos, prejudicando sua rotina profissional, familiar e pessoal.

Muitas vezes, o medo exagerado é entendido como um sinal de fraqueza, o que é um erro, pois se trata de uma doença e deve ser tratada como tal.

Quando não consegue uma solução razoável para o medo da violência, a pessoa fica ansiosa e o organismo reage com o aumento da pressão arterial e da sudorese. A pessoa passa a se preocupar com coisas que vão além das ameaças realmente existentes.

A violência é endêmica, sendo raro encontrar alguém que não tenha sido vítima dela, ou que não conheça alguém que tenha sido. A solução depende das autoridades encarregadas de combatê-la e da pressão da sociedade para o governo concentrar esforços e recursos na segurança e na educação de nosso povo. Enquanto isso não acontece, o melhor é adotar atitudes preventivas de acordo com a realidade de cada um.

Hábitos simples, como dirigir com os vidros fechados, não ostentar jóias, portar poucos documentos, cartões de crédito e dinheiro constituem uma forma de uma prevenção que pode deixar a pessoa mais tranquila.

Atualmente, a polícia e os bandidos às vezes se confundem e o cidadão que trabalha e paga seus impostos fica sem saber a quem recorrer. Assim, a indústria do medo se torna lucrativa: segurança particular, blindagem, grades, câmeras, armas e munições aumentam a paranóia.

Nas ruas, o desconhecido é encarado como uma ameaça. A violência urbana subverte e desvirtua a função das cidades, pois afasta a pessoas umas das outras. Ao se trancafiar em casa, a pessoa não percebe nem vivencia a cidade. Não conhece seus cheiros, cores e luzes. A rua não é mais um local de socialização, mas uma via que serve para levar as pessoas de um local para outro. A pessoa passa a ver o outro com receio, e isso faz com que a imaginação alimente medos maiores do que os justificáveis pela realidade.

As fobias podem surgir quando o medo é desproporcional em relação a determinadas situações. Neste caso, não há apenas medo. Os níveis de ansiedade podem ser tão elevados que a pessoa sente uma necessidade extrema de limitar seu comportamento. Há uma multiplicidade de circunstâncias que podem estar na origem da fobia. É provável que seja necessário recorrer a uma intervenção terapêutica e/ou farmacológica para a pessoa nessa situação sentir-se apta a enfrentar os desafios da sua vida social e profissional.

Encontrar um ponto de equilíbrio nem sempre é tarefa fácil. Entre as atitudes preventivas e as atitudes extremas existe uma linha muito tênue, e está cada vez mais difícil para o cidadão de paz distinguir entre uma e outra. O que não podemos é ficar reféns de marginais, de forma a comprometer nossa qualidade de vida.


 

O Problema da Violência

Pedro Leite

Violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto. Nega-se autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado. O termo deriva do latim violência, que por sua vez deriva de vis, força, vigor; aplicação de força, vigor, contra qualquer coisa ou ente.
Assim, a violência diferencia-se de força, embora essas palavras costumem estar próximas no cotidiano. Enquanto que força designa, em sua acepção filosófica, a “energia” ou “firmeza” de algo, a violência caracteriza-se pela ação corrupta, impaciente e baseada na ira, que não convence ou busca convencer o outro, simplesmente o agride.
Existe violência explícita quando há ruptura da moral ou normas sociais estabelecidas a esse respeito. “Violência” não é um conceito absoluto, variando entre sociedades. Por exemplo, rituais de iniciação podem ser encaradas como violentos por uma sociedade, mas não pelas sociedades que o praticam.
1. Causas
Diversas causas externas ao indivíduo já foram propostas para explicar a violência física:
Cultura moderna
A proposta de que a cultura moderna instiga à violência em relação a culturas indígenas ou pré-históricas é baseada na filosofia do bom selvagem de Rousseau e da “tabula rasa” de Locke. Essa perspectiva foi descartada pela evidência de que essas sociedades eram, proporcionalmente, mais violentas que a nossa

Violência na mídia
Já foram realizados diversos estudos sobre a relação entre violência na mídia e comportamento agressivo, mas até agora não há nenhuma evidência conclusiva dessa relação. A televisão e o cinema são apontados como irradiadores destes comportamentos, na medida que poderiam influenciar um indivíduo ou grupo.
Acesso a armas de fogo
Não há nenhuma correlação observável entre o acesso a armas de fogo e violência, apesar desse instrumento tornar a violência mais efetiva e fácil. Análises estatísticas sugerem que a correlação pode ser até inversa.
Discriminação e pobreza
Apesar de indícios de que esses fatores estejam mais relacionados a violência, não há uma correlação clara. Países com maior desnível sócio-econômico têm outros fatores culturais que também podem influenciar o nível de violência. A ciência hoje conclui que a violência é determinada pela complexa combinação entre fatores externos e características inatas do ser humano, tais como:
Gênero
Os homens são mais violentos em praticamente todas as culturas. Homens matam homens de 20 a 40 vezes mais do que mulheres matam mulheres, especialmente homens jovens entre 15 e 30 anos de idade.
Distúrbios de personalidade
Cerca de 7% dos homens jovens cometem 7% de delitos violentos repetidos. Avaliações psicológicas demonstram um perfil de personalidade distinto nesses indivíduos, que tendem a ser impulsivos, ter baixo nível de inteligência, ser hiperativos e com déficit de atenção. Parte deles são considerados psicopatas. Essas características emergem no início da infância, persistem ao longo de toda a vida e são em grande medida hereditários, embora de modo algum o sejam completamente.
Predisposição inata à violência
Em todas as culturas, brincadeiras violentas surgem espontaneamente, especialmente entre meninos com comportamento agressivo ocorrendo em cerca de metade deles aos dois anos de idade. Essa predisposição inata é facilmente explicável pela necessidade da seleção dessa característica durante a evolução da nossa espécie. Somos todos descendentes de indivíduos que souberam caçar efetivamente, que venceram a competição sexual, que sobreviveram a guerras tribais e a todos os aspectos da violência. A partir da predisposição humana inata à violência, considera-se que a violência é um artifício efetivo bem resumido por Hobbes:
“De modo que na natureza do homem encontramos três causas principais de contenda. Primeira, competição; segunda, deficiência; terceira, glória. A primeira leva os homens a invadir pelo ganho; a segunda, pela insegurança; a terceira, pela reputação. Os primeiros usam da violência para assenhorear da pessoa, da esposa, dos filhos e do gado de outros homens; os segundos, para defendê-los; os terceiros, por bagatelas, como uma palavra, um sorriso, uma opinião diferente e qualquer outro sinal de menosprezo, seja direto em suas pessoas ou, por reflexo, em seus parentes, amigos, nação, profissão ou nome.”
A segunda causa, também chamada de armadilha hobesiana, explica porquê a presença de um indivíduo, tribo ou nação agressiva instiga seus pares à violência, seja pela defesa ou de modo preventivo, para inibir a possibilidade de agressão. Segundo Pinker:
“A análise de Hobbes mostra que a violência não é um impulso primitivo e irracional, tampouco uma “patologia. Em vez disso, ela é o resultado quase inevitável da dinâmica dos organismos sociais racionais movidos pelo auto-interesse”.
2. Tipologia
Embora a forma mais evidente de violência seja a física, existem diversas formas de violência, caracterizadas particularmente pela variação de intensidade, instantaneidade e perenidade.
2.1. Violência física
Algumas formas de violência, especialmente a violência física, a agressão propriamente dita, causando danos materiais ou fisiológicos, caracterizam-se pela intensidade comparativamente alta, assim como pela instantaneidade. Porém tendo pouca perenidade. Existem inúmeras variações da violência física (ou ainda, sub-variedades), como o estupro, o assassinato e/ou o antigo (e desusado) duelo.
2.2. Violência psicológica
A violência psicológica consiste em um comportamento (não-físico) específico por parte do agressor. Seja este agressor um indivíduo ou um grupo específico num dado momento ou situação. Muitas vezes, o tratamento desumano tais como: rejeição, depreciação, indiferença, discriminação, desrespeito, punições (exageradas) podem ser consideradas um grave tipo de violência. Esta modalidade, muitas vezes não deixa (inicialmente) marcas visíveis no indivíduo, mas podem levar à graves estados psicológicos e emocionais. Muitos destes estados podem se tornar irrecuperáveis em um indivíduo, de qualquer idade, antes saudável.
As crianças são mais expostas a violência psicológica, tendo em vista que dispõem de menos recursos que lhe garantam a proteção. O ambiente familiar e a escola tem sido os locais mais reportados. Pais e parentes próximos podem desencadear uma situação conflituosa. Na escola, os colegas, professores ou mesmo o sistema escolar podem ser os causadores de situações de constrangimento. Os adolescentes também são vítimas da mesma situação.
Mesmo indivíduos adultos podem sofrer as mesmas conseqüências danosas. Um exemplo claro disto são as situações de assédio moral. Assédio moral é a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. São mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e antiéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização. Em geral, provocam ações humilhantes ao profissional ou o cumprimento de tarefas absurdas e impossíveis de realizar, para gerar a ridicularização pública no ambiente de trabalho e a humilhação do profissional. Ou ficam denegrindo a imagem do profissional com humilhações, muitas vezes mentiras. E para conseguir adeptos e ganhar força a perseguição moral arruma aliada. Para que consigam pessoas que os apóiem eles passam de perseguidores a vítimas. Algumas vezes forçam o profissional a desistir do emprego.
Em geral, aquele que pratica o assédio moral tem o desejo de humilhar o outro ou de ter prazer em sentir a sensação de poder sobre o outro. Chegam a criar adeptos para que se juntem ao grupo para fortalecê-lo. Alguns se unem porque igualmente gostam de abuso de poder e de humilhar, outros se unem por covardia e medo de perderem o emprego. Aquele que faz o assédio moral pode ter desejo de abuso de poder para se sentir mais forte do que realmente é, ou de humilhar a vítima com exigências absurdas. Alguns inclusive são sádicos e provocam outras violências além da moral. Por ser algo privado, nem sempre a vítima consegue na Justiça provar o que sofreu, principalmente porque tem dificuldade de conseguir testemunhas, porque estas preferem se calar a colocar o emprego em risco. Em todo o caso, a situação começa a contar com estudos especializados e a própria Justiça passa no momento sob uma ampla revisão da matéria.
2.3. Violência política
Um pouco diferenciada da violência social é a violência política; esta foi relacionada no passado a atentados e assassinatos, sendo praticamente exclusiva de escalões próximos aos governos. O terrorismo (que deve ser entendido como violência física e política, simultaneamente) contribuiu para “democratizar” a violência política. Assim, essa modalidade é instantânea, por vezes intensa.
Cabe dar importância especial à violência política, que é estudada há mais tempo e que constitui ponto fundamental de obras como Leviatã (de Thomas Hobbes) ou O Príncipe (de Maquiavel).
O pensamento grego clássico atribui à democracia a situação de maior estabilidade e menor propensão a violência. Heródoto, em seu terceiro livro da História, argumenta que a monarquia estimula o orgulho e a inveja, levando inevitavelmente à violência e a derrubada do governante.
De certa forma, entretanto, mesmo a democracia carrega a violência: acredita-se que a violência é inerente ao Estado, existe em sua gênese e na sua manutenção. O Estado supostamente exerce o monopólio do uso da força e da violência. No entanto, mais do que praticá-las, acredita-se que uma democracia deva limitar ao máximo a prática das violências; ter uma função reguladora. Assim, as leis servem antes como um limite para a situação presente do que uma previsão acurada sobre as possibilidades de conflito social – por isso precisam ser constantemente reformuladas. Paralelamente ao desenvolvimento das leis, o Estado é o único responsável pelas forças de repreensão social, a polícia e a justiça institucional.
Alguns regimes se desviam desse ideal de democracia mesmo mantendo as bases populares. Entretanto, colocam-se as seguintes questões: a violência emana das massas? Por vezes, as massas não se encontram descontroladas e precisa ser contida?
Uma das formas mais conhecidas de violência política foi o chamado Terror, período revolucionário na França em que a sustentação de um regime se deveu à pura e simples eliminação de todos os suspeitos e a um estado de guerra total (em sua primeira aparição) e pânico de massas. A Revolução Francesa foi, talvez, o primeiro caso de descontrole de massas, no período de 1793-4 (a República Jacobina). Embora ainda não houvesse uma democracia em sentido estrito após os acontecimentos de 1789, pode-se considerar o Terror como uma violência em era democrática, tanto mais porque não se propunha exatamente expandir o direito de voto e representação, e sim eliminar os inimigos da República e salvaguardar o regime a qualquer custo.
Outro tipo de violência política é a revolucionária As origens históricas da violência revolucionária remontam aos gregos, que diferenciavam claramente a mudança política violenta da não-violenta: era a distinção entre um tirano (ou seja, aquele que usurpa o poder de uma cidade pela violência) e o legislador, ou seja, aquele que recebe a confiança popular para implantar reformas sem a necessidade de violência. O uso da violência revolucionária também esteve presente na Revolução Russa de 1917. O uso da violência, segundo os teóricos russos, seria uma estratégia da vanguarda profissional, disciplinada, para iniciar o regime de liberdade. A violência revolucionária pode ser considerada uma variação da política; envolve a ruptura (logicamente instantânea e intensa) de uma situação social, como nos casos específicos da Revolução Russa de 1917 ou da Revolução Francesa de 1789.
Outra forma de violência política é a imposição de ideologias as massas – de quaisquer matizes, tanto de direita quanto de esquerda –, embora haja uma crença geral de que a humanidade esteja mais consciente e menos refém desse tipo de ato político violento.

2.4. O Fascismo
O fascismo é um tema recente que gera muita discussão, é muito comum atribuir-se àqueles que ascenderam ao poder (Hitler, Mussolini, Franco, Vargas) toda a responsabilidade histórica dos eventos que aconteceram em seus países.
É importante lembrar que as massas não foram simplesmente manobradas nesses casos, tiveram seu papel, de modo que, sob certo ponto de vista, um conjunto enorme de indivíduos praticava a violência indiretamente, quando era permitida pelo Estado.
O símbolo do fascismo italiano era o fascio romano, que ilustra bem a relação entre povo e poder: um feixe de varas unido fortemente num cabo que formava uma espécie de machado, símbolo da autoridade (o machado) apoiada sobre o povo (as varas).
A franca recuperação alemã no tempo de Hitler encorajou sua população a acreditar na culpabilidade dos judeus. Na chamada Noite dos cristais (Kristalnacht) – um episódio marcante de violência de massas – o impulso inicial foi dado pela atribuição de culpa a um judeu (por um atentado ao diplomata alemão Ernst vom Rath, em Paris), mas o resultado pode ter ido além das expectativas do governo; milhares de lojas e casas de judeus foram destruídas.
Crê-se que um dos fatores que possibilitou a manutenção do estado nazista foi fundamentalmente a violência, pois assim que esta declinava (como na concessão feita pela Inglaterra e França após a invasão da Tchecoslováquia) o estado buscava novas agressões, novas aventuras. A própria Itália utilizou-se da violência na política externa ao invadir a Etiópia.
A aniquilação do judeu (bem como do cigano, do negro e de qualquer população “não-ariana”) na Alemanha nazista não se limitava ao aspecto de violência física: Joseph Goebbels incentivava a queima pública de livros e trabalhos pretensamente judeus; cientistas foram expulsos e humilhados, pintores foram mandados para campos de concentração. Em 1943 houve uma grande destruição de cerca de 500 obras de arte, na França, entre as quais figuravam trabalhos de Pablo Picasso, Max Ernst e Paul Klee. Assim a violência cultural ressurgiu entre os nazistas.
O episódio nazista é interessante ainda pela solução dada a ele: não houve uma rejeição popular ao regime nazista, não houve uma reflexão interna capaz de considerar repugnante aquilo. Ao invés, houve uma incapacitação (do exterior) para a continuidade do regime – a aniquilação das forças do país. Deste modo a Alemanha não “exorcizou” o nazismo por si, embora o tenha feito (em grande parte) durante os anos seguintes à Segunda Guerra Mundial.

2.5. Violência cultural
A violência cultural é pouco conhecida, e constitui na substituição de uma cultura por um conjunto de valores importados e forçados. O exemplo clássico é a europeização dos indígenas americanos, principalmente nas regiões onde instalaram-se missões católicas (América do Sul, México). Mais recentemente muitas missões religiosas (essencialmente as cristãs) podem danificar a estrutura de tribos mais primitivas, provocando a longo prazo um esfacelamento de sua identidade cultural. É um tipo de violência intensa, perene e de pouco instantânea.
2.6. Violência verbal
Há formas mais individualizadas de violência, como a violência verbal. Normalmente afetam indivíduos em situações especiais, e não raro acompanham-se de violência física.
2.7. Violência contra a mulher
Em todas as sociedades existe a violência contra a mulher. Dados Mundiais da OMS (Organização Mundial da Saúde), e nacionais (Brasil), indicam números impressionantes sobre este tipo de violência. Qualquer ato violento que cause em dano ou sofrimento de natureza física, sexual ou psicológicas. Incluindo ameaças, a coerção ou a privação de liberdade, na vida pública ou privada. A violência contra a mulher engloba várias formas de violência, inclusive psicológica, não só o estupro. O abuso sexual de meninas no lar ou fora dele, a violência por parte do marido, assédio e intimidações sexuais no local de trabalho ou instituições educacionais, a prostituição forçada, entre outros. No Brasil os assassinatos de mulheres, cometidos por seus companheiros ou mesmo parentes próximos tem também atingindo números impressionantes. A violência contra a mulher é em geral, praticada pelo marido, namorado ou ex-companheiro.

2.8. Violência infantil
Trata-se de uma forma cruel de violência pois a vítima é incapaz de se defender. Um exemplo é o abuso sexual de crianças por pedófilos.
A pedofilia (também chamada de paedophilia erótica ou pedosexualidade) é uma parafilia na qual a atracção sexual de um indivíduo adulto está dirigida primariamente para crianças pré-púberes ou ao redor da puberdade. A palavra pedofilia vem do grego παιδοφιλια < παις (que significa “criança”) e φιλια (“amizade”). A pedofilia, por sí só, não é um crime, e sim um desvio psicológico e sexual. A pessoa pedófila passa a cometer um crime quando abusa sexualmente de crianças ou incentiva a produção de pornografia infantil.
Em países cuja idade de consentimento é relativamente alta, como nos Estados Unidos da América, o termo “pedofilia” é também utilizado para descrever a atracção sexual por adolescentes. Em países cuja idade de consentimento é menor, tal como no Brasil ou na França, este uso é raro, tendo sido evitado pela mídia. A atração sexual de adultos por adolescentes (tanto do sexo feminino quanto masculino) pode ser descrita como efebofilia, sendo o termo pederastia exclusivo da atracção sexual por adolescentes do sexo masculino.
2.8.1. Esclarecendo
• Uma pessoa não é necessariamente pedófila somente por sentir desejo sexual por esta ou aquela criança pré-púbere, mas sim, quando sentir atração sexual somente ou primariamente por crianças.
• Uma pessoa que abusa sexualmente de crianças pré-púberes não é necessariamente pedófila. Com relação a criança, envolve a questão do consentimento e da consciência do ato.
• A maioria dos casos de abuso sexual destas crianças envolve parentes ou outras pessoas próximas à criança(pais, padrastos, tios, amigos, primos, irmãos, etc), que se aproveitam principalmente da fragilidade da vítima para satisfazer seus desejos. Ou seja, muitas das vezes a violência infantil é provocada pelos pais da criança ou cuidadores.
• Dificuldade de introjeção das leis sociais, são motes para o ato.
2.9. Violência Espontânea x Institucional
Há uma grande diferença entre: violência institucional e violência espontânea.
A violência institucional, trabalhada e cuidadosamente adaptada à situação, é empregada por grupos sociais de maneira sancionada, ou pelo menos é tolerada sem grandes problemas;
A violência espontânea é constituída de pequenos atos e provocações (testes), e às vezes causa vergonha e arrependimento quase que imediatamente após cessar.
A violência institucional usa-se da propaganda (ou da comunicação social) para vender uma suposta “naturalidade”, visando maior aceitação. Ela é típica de guerras, pois nenhuma guerra se sustenta sem a aceitação por parte do povo de uma agressão a outro grupo, agressão que é justificada de maneiras mais engenhosas quanto possível (racismo, “direito natural” a possessões no exterior, revanchismo, etc).
3. Violência e artes
3.1. Literatura
Na literatura a representação da violência é rica e variada. Merecem destaques as obras de alguns escritores.
Internacionalmente, a violência encontra representação quase que em toda a obra de Fiodor Dostoiévski. Franz Kafka ilustra um tipo de violência psicológica peculiar em O Processo (Der Prozeß, 1925). Ernest Hemingway é apenas um dos escritores a publicar obras sobre guerras, conquanto seu Por quem os sinos dobram (For Whom the Bells Tolls, 1940) seja um bom retrato de um conflito real, a guerra civil espanhola.
Na literatura portuguesa, a violência sempre esteve presente, embora nas tendências modernas foram muito mais explícitos os modos variados e verossímeis de violência. Há um exemplo interessante em Euclides da Cunha (que fez d’Os Sertões um relato primoroso da Guerra dos Canudos), e destaca-se a obra do chamado regionalismo nordestino, de José Lins do Rego, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Em Capitães de Areia (1936), Jorge Amado mostra com ternura a violência de um grupo de meninos abandonados nas ruas de Salvador; em Jubiabá (1935), ele mostra a trajetória de Antônio Balduíno, menino de rua que pratica atos criminosos menores, boxeador, assassino (quando “o olho da piedade vazou”), vagabundo e finalmente grevista, que aprende o caminho da razão justamente quando confrontado com a violência política.
Mas é Graciliano Ramos que, na literatura do Brasil, se compara à Dostoiévski na presença constante da violência. Suas obras trazem quase invariavelmente o conflito do homem que sofre alguma restrição, alguma coação ou alguma rejeição social, econômica ou cultural e tenta inutilmente reverter esse quadro. Em seus livros de memórias, como Infância (1945) e Memórias do Cárcere (1953) Graciliano documenta sua própria convivência com o mundo violento e cruel. Já o romance Angústia (1936) gira em torno de um assassinato, justificado pelo narrador-protagonista como necessário e impositivo. O crime perturba definitivamente o criminoso, antes e depois do ato propriamente dito: antes, nas constantes paranóias sobre enforcamento, e depois, na convalescença de um mês e na necessidade de escrever o livro para exorcizar-se, eximir-se da culpa.
3.2. Cinema
O cinema é um veículo que tem uma grande infiltração mundial. Muitos dos filmes apresentam cenas de extrema e exagerada violência. A vida humana é por vezes tratada como algo banal. Existem diversos relatos de contraventores que ao praticar seus atos, se inspiraram em cenas e personagens considerados heróis. Trata-se também, de um tipo de violência cultural, na medida que são estabelecidos novos valores incompatíveis com a conduta humana.
3.3. Televisão
A televisão tem sido tema de muita discussão em relação as cenas de violência realísticas. Muitas vezes, quase simultaneamente, expõe em suas programações, nos telejornais, telenovelas e seriados. A grande infiltração da televisão em todos os lares pode rapidamente difundir alguns dos tipos de violência.
3.4. Bíblia e violência
A Bíblia, para alguns especialistas, apresenta uma vasta coleção de eventos violentos. Nela encontram-se, ao lado de exemplos de virtude, desde assassinatos fratricidas e estupros até periódicas demonstrações de ira divina (dilúvio, pragas do Egito). A história de Adão e Eva em si pode ser vista como uma história de violência: Deus impondo normas e preceitos com base em sua autoridade; preceitos desobedecidos por Eva; punição na forma de expulsão do paraíso e conhecimento do mal.
4. Violência nos esportes
Existe violência praticada entre esportistas e entre torcedores de determinadas categorias. Existem diversos esportes que são considerados violentos, tais como: boxe, futebol, rugby, entre outros. Na copa de 2006 o jogador de futebol Zidane, ao sofrer uma ofensa verbal, agrediu fisicamente um outro jogador em pleno jogo da final, demonstrando uma atitude não adequada aos esportes.
5. Dados estatísticos
• a cada 13 minutos um brasileiro é assassinado;
• a cada 7 horas uma pessoa é vítima de acidente com arma de fogo no Brasil;
• um cidadão armado tem 57% mais chance de ser assassinado do que os que andam desarmados;
• as armas de fogo provocam um custo ao SUS de mais de 200 milhões de reais;
• no Brasil, por ano, morrem cerca de 25 mil pessoas vítimas do trânsito e 45 mil morrem de armas de fogo;
• em São Paulo, quase 60% dos homicídios são cometidos por pessoas sem histórico criminal e por motivos fúteis.
• Violência em Brasília = A cada 4 minutos ocorre um delito no Distrito Federal. São 15 crimes por hora. (Correio Braziliense, 17.01.2007, pág. 25);
Fonte: UNESCO
Bibliografia
FROMM, E. Medo à Liberdade. Rio de Janeiro : Zahar, 1977
GALVÃO JR. J.C. O Direito Achado na Violência. Rio de Janeiro: NPL, 2005.
ODÁLIA, N. Que é Violência. São Paulo : Brasiliense, 1983
MARCONDES FILHO, C.J. Violência Política. São Paulo : Moderna, 1987.
MORAIS, R. Que é Violência Urbana. São Paulo : Brasiliense, 1985.
PINHEIRO, P.S. & ALMEIDA, G.A. Violência Urbana. São Paulo: Publifolha, 2003. Folha Explica.
PINKER, S. Tábula Rasa: a Negação Contemporânea da Natureza Humana Companhia das Letras, 2004.
FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Viol%C3%AAncia

 


Exposição Jogos de Guerra

Texto de Daniela Name – Curadora 

O embate com o outro está na raiz dos países, das paixões, da economia e dos idiomas. Se quem ama morre um pouco, perdendo ou vencendo batalhas íntimas, quem fala vira assassino de outros falares. Não se cria uma língua sem  arrasar com outras.

O português que aprendemos no Brasil só se afirmou como idioma oficial ao destruir os léxicos de tupis e guaranis, roubando para seu corpo parte da alma dos vencidos. Mais tarde, os dialetos dos escravos africanos arredondaram frases e destacaram as vogais, adoçando nossa fala rumo à música.

Por que estou falando de língua numa exposição de arte? Porque uma de minhas tarefas nestes Jogos de guerra é escrever. Um texto é uma sucessão de batalhas, da qual dificilmente se sai ileso. O consolo é não estar sozinha: esta mostra  conta com trabalhos que apresentam o confronto dos artistas com sua própria obra ou o meio que os cerca.

Nesta arquitetura desafiadora criada por Oscar Niemeyer, que muitas vezes duela com o que ousa ocupar seu espaço interno, apresentamos uma seqüência de obras de arte em um ciclo de conflitos e tréguas.

Vemos a antropofagia dos tempos coloniais, em que os tupinambás engoliam o homem branco para tirar dele sua força, mas também a guerra de todos os exércitos, do dinheiro, da religião, da cultura de massa e das raças.

É a guerra que começa na infância, quando aprendemos num tabuleiro de “War” a arrasar  com os exércitos azuis conquistando Aral, Dudinka ou Vladvostoki. Ou a odiar o time de futebol do vizinho do apartamento 32, transformando o playground em batalha campal depois da disputa de pênaltis no Parque Antártica (ou no Morumbi, ou no Pacaembu, ou em Vila Belmiro, não fiquem nervosos, por favor).

É a trincheira urbana do tráfico, com suas balas traçantes, mas também o bunker do isolamento, que impede a visão de semitons e diferenças. É a violência doméstica, do inimigo mais próximo, e as depressões e pesadelos que estão a  apenas dentro de cada um e são um tipo de tormento para chamar de seu.

Jogar com a guerra é encontrar o jeitinho, a fresta, a metáfora, a trilha que ilumina a estrada principal. A arte é um dos melhores modos de começar a partida. Os negros derramaram melado de cana nas consoantes brancas e plantaram em  nossa língua a herança que é sua pequena-grande vitória. A ironia, o humor e as sutilezas que constituem alguns dos trabalhos apresentados aqui vão na mesma direção. Rir da desgraça, purgar o crime e satirizar o algoz é enxergar a     briga      de outro ângulo, revisando estratégias.

A arte é bandeira branca e ao mesmo tempo munição e revide. Às armas, então.

 

 

 

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