Crianças

INSEGURANÇA E MEDO

Texto de  Ronize Patrícia Silva

1) Que fatores podem vir a originar medo e insegurança em crianças?

Ao descrevermos ás crianças o que é seguro e o que vem a ser perigoso, estamos transmitindo o conceito de medo, pois ao nascer a criança possui tal conceito, então através das reações dos adultos ela percebe o mundo como seguro ou assustador. Assim diversos são os fatores que podem ser responsáveis pelo medo e a insegurança entre eles podem-se destacar os medos e inseguranças dos próprios pais ou de pessoas que convivem com a criança; as estórias que escutam sobre monstros e vampiros ou de crianças que são abandonadas pelos pais; as conversas que ouvem à sua volta ou assistem na televisão e não entendem do que se trata e não tem o conteúdo devidamente esclarecido, ou por não sentir confiança no ambiente para perguntar ou por perguntar e ter respostas evasivas e não verdadeiras às suas duvidas, pois facilita que as crianças fantasiem e sintam medo.
Os medos excessivos e sem motivos aparentes geralmente denunciam situações conflituosas no lar que transmitem a sensação de insegurança à criança, como por exemplo: abuso, alcoolismo ou dependência química na família, brigas, agressões, ameaça de separação, discussões sobre problemas financeiros, doenças na família, etc. A falta de estrutura familiar, ou seja, uma família que não proporcione um sentimento adequado de proteção; pode fazer com que a criança sinta-se insegura, quando a família está com problemas à criança necessita ouvir dos pais que eles a amam e que nunca a abandonarão, seja qual for à situação, que estarão sempre unidos.
Um outro fator é a falta de esclarecimento às perdas que pode ter na infância como o divórcio dos pais, a morte de um ente querido, a mudança de escola, de cidade, etc. O fato dos pais saírem de casa sem avisar a criança acarreta no medo de ficar sozinho. Os pais ausentes, desatentos com seu filho, inseguros, ansiosos ou pouco carinhosos também inspiram falta de confiança.
É impossível evitar sustos, ansiedade e temores durante a infância, pois as injeções, as vacinas, o tratamento dentário e as tempestades, por exemplo, são fatos da vida da criança, apenas podemos minimizar o temor e o sofrimento com a compreensão e o esclarecimento adequado à situação.

2) Quais as manifestações mais comuns nesses casos?

A criança quando não consegue expressar o que sente por palavras manifesta sua insegurança através de uma mudança no comportamento; ela pode voltar a ter comportamentos infantilizados que não correspondem à sua idade cronológica, por exemplo, passar a fazer xixi na cama quando já abandonou este hábito; dirigir-se ao quarto dos pais durante a noite: “grudar-se” aos pais em determinadas situações, geralmente em situações novas e desconhecidas para ela; pode também ter dificuldade de fazer e manter relacionamentos: bem como dificuldades acadêmicas.
As crianças possuem muito mais medos do que nos apresentam, pois na nossa sociedade medo é sinônimo de covardia, assim elas aprendem a esconder o que sentem para agradar aos pais ou para não assustá-los, durante as sessões psicológicas é grande a quantidade de medos que afloram mesmo quando o motivo do tratamento é outro qualquer.

3) Falar do medo e insegurança nas seguintes situações: contato com outras crianças; escola; contato com adultos estranhos à família.

É fundamental que as crianças tenham um preparo adequado no ambiente familiar para que obtenham sucesso nas suas demais relações, ou seja, que possam sentir-se confiantes e felizes no contato com outras pessoas.
Crianças bem esclarecidas pelos pais e com suas habilidades reforçadas positivamente apresentam maior potencial para sentir-se bem em qualquer ambiente. A criança deve acreditar que é boa e que as outras pessoas também são. Seu comportamento positivo deve ser elogiado como fazendo parte dela, ou seja: “você é inteligente”, “é bonito ser prestativo como você”, e quando é necessário corrigir um comportamento inadequado devemos usar: “você agiu com um comportamento ruim ou você agiu com falta de educação, logo você que é uma criança tão gentil e educada”. Os pais podem assegurar a criança que no colégio encontrará pessoas bondosas e que gostarão dela porque ela é uma criança muito lega. Conhecer a escola uma semana antes do inicio das aulas, ajuda para que a criança tenha um primeiro contato saudável com as outras crianças e com os professores.
Quando a criança se tornar mais independente ela pode passar o dia na casa de um parente ou de um coleguinha, isto é benéfico para a integração social, pois terá que solucionar suas necessidades sem o auxilio dos pais, tornando-se cada vez mais confiante em seu desempenho, mesmo na ausência dos mesmos.

4) É comum medo de animais? Em caso positivo, esclareça o motivo.

O medo de animais aparece na minoria das crianças, pois normalmente elas adoram e se identificam com eles, especialmente os de estimação, porem acontece e geralmente é manifestado por filhos de pessoas que apresentam o mesmo medo, pois a criança diverte-se com o animal (manso) até que alguém lhe diga que é perigoso, e desperte nela o medo de ser atacada sem motivo, as vezes os pais amedrontam a criança simplesmente porque não querem que ela brinque com o animal para não sujar sua roupa ou para que a criança fique quieta, sem saber que intimidar a criança com ameaças irreais, gera um medo imaginário que é muito assustador para a criança e traz conseqüências dolorosas e desagradáveis, pois limita a sua participação no mundo.
Mesmo que ocorra um incidente provocado pelo contato com o animal como um arranhão ou uma mordida leve, os pais não devem tumultuar ainda mais a situação demonstrando-se apavorados, deve-se agir com ponderação, e ensinar a criança como brincar com o animal da próxima vez (com suavidade, sem machucá-lo ou prendê-lo ao colo, etc.) sem dar ênfase ao perigo do contato com animais. (É claro que se forem animais realmente perigosos devem proteger a criança).
Se a criança já apresenta o medo, ela não deve ser obrigada a tocar o animal. Deve ser favorecida uma aproximação gradual, onde cada progresso seja comentado e elogiado. Outro erro comum neste caso é diminuir a criança falando que o amiguinho que é menor não possui tal medo, pois já é muito sofrido não pode ser mais forte que o próprio medo e diminuir sua auto-estima só irá atrapalhar.
O medo de animais também pode ter sua fonte em associações que q criança fez entre um determinado animal e um conteúdo de sua fantasia, que lhe traz a sensação de insegurança.

5) Por que muitas crianças têm medo de dormir sozinha? É medo da escuridão?

Só podemos detectar o que realmente está causando o medo ao fazermos um estudo detalhado da historia da criança e observá-la atentamente e com o auxilio de técnicas psicológicas adequadas, porem geralmente quando a criança passa a dormir num quarto separado de seus pais, estes costumam deixar uma luz acessa e visitar o quarto diversas vezes a noite, para verificar se está tudo bem, acabam transmitindo a criança que o escuro e perigoso, pois ela transfere o medo real de seus pais (por estar descoberta, com um problema de saúde ou quase caindo da cama, por exemplo) para um medo seu imaginário, pois desconhece tais preocupações físicas, então fantasia o perigo de acordo com o que conhece como conceito de medo como bruxas e monstros, passa então a sentir-se segura apenas quando há claridade, pois na presença da luz verifica a inexistência de tais inimigos, acaba por associar luz a segurança.
A própria “escuridão” pode ser geradora de medo justamente por propiciar a fantasia pela falta de som e a da luz, mas o medo de dormir sozinho pode estar ligado a diversos fatores, como sentimento de culpa, experiências traumáticas (ser trancado por um amiguinho ou pela babá no escuro, por exemplo) ou simplesmente o desejo de estar mais perto dos pais.

6) E as crianças que acordam no meio da noite e vão direto para a cama dos pais? Como proceder nesse caso?

É importante ouvir a criança atentamente, observá-la a fim de receber e esclarecer a ela o que está ocorrendo, quando então os pais devem assegurar-lhe que não há o que temer, por exemplo, se detectam que o medo é de ladrão transmitir que estão em segurança, pois a casa está bem fechada ou o prédio possui vigia, etc; e com segurança e carinho conduzi-la a seu próprio quarto, não devem dormir junto com a criança para não acostumá-la a depender da sua presença para sentir-se segura, podem combinar também de comprar um abajur ou uma lanterninha que ela mesma possa manipular ou um objeto macio para lhe fazer companhia enquanto o sono não vem.
É importante distinguir se a criança possui medo de um fator real ou de algo que não existe e afirmar sempre que o “bicho papão”, “homem do saco”, etc; só existem em personagens de estórias e na televisão, que é exatamente quando se fantasia para um teatro no colégio ou no carnaval, ou seja, continua a ser ela mesma, porém com uma roupa diferente.

7) Quais as influências da televisão no medo e insegurança infantil?

A produção de sentimentos de medo (sentimento de vítima) é considerada uma das principais conseqüências da exposição da criança à televisão, pois através da TV a criança tem muito mais contato com o crime e com a violência, do que está exposta na realidade.
Quanto maior a estruturação do lar, a idade da criança e os bons exemplos com que convive, menor será o impacto da televisão, os pais têm que estar atentos para saberem o quanto e como os seus filhos estão entendendo o que está exposto, e podem evitar que assistam situações as quais sentem que não estão preparados, pois a impressão do filme “Branca de Neve”, por exemplo, será completamente diferente para uma criança de três anos, que ficará encantada, sem falar nas diferenças individuais e na programação que está a nossa disposição.
É fundamental que os pais supervisionem o que os filhos assistem na TV, apresentem a eles os programas educativos e filmes com boas mensagens como “Lassie” por exemplo, e sempre que possível participem desta atividade com a criança e aproveitem este momento para colocar sua opinião, suas reflexões e seus valores morais sobre o que estão assistindo.
Vale ressaltar que a criança deve ter seu tempo distribuído de maneira que atividades mais saudáveis façam parte de sua vida, como fazer esportes, andar de bicicleta, brincar ao ar livre, com animais, com os pais e com outras crianças.

8) O que deve ser feito para que a criança tenha um dia tranqüilo e um bom sono?

A família deve proporcionar uma rotina que transmita segurança a criança, sem excessos de atividades e sem “correrias”, onde haja afeto verdadeiro entre todos os membros. Um bom sono também é mantido por uma alimentação saudável rica em frutas, legumes, verduras e proteínas, evitando-se comidas e bebidas excitantes do sistema nervoso próximo ao horário de dormir, bem como brincadeiras muito estimulantes.
Brincar uma hora por dia com os filhos e contar-lhes estórias na hora de dormir traz inúmeros benefícios, eu sempre falo isto para os pais, pois este é um caminho para a proximidade e intimidade entre pais e filhos por toda a vida.

9) Como os pais devem lidar com este tipo de problema?

Todos sentimos medos e muitas vezes é ele que garante a nossa segurança, porém o medo é considerado normal quando o perigo é real, com o medo de fogo, de dirigir depois de ingerir álcool, ou de ir para o fundo do mar ou deixar uma criança atravessar uma avenida movimentada sozinha, o medo torna-se um problema quando é imaginário e provoca sensações reais que impedem a realização de atividades normais, como o medo de brincar com um cachorro conhecido e manso, dormir sozinho, dormir no escuro e ir ao banheiro ou à cozinha a noite.
Deve ser verificado se ocorreu alguma situação traumática “para a criança”, pois muitas vezes o que é considerado banal para um adulto, pode ser um bloqueio emocional para a criança devido a sua fragilidade. Todos os medos da criança precisam ser reconhecidos, respeitados e aceitos, apenas quando o temor puder ser encarado abertamente é que a criança poderá ganhar força para lidar com um mundo que às vezes lhe é ameaçador.
É necessário ter muito cuidado com o que se diz diante da criança, evitar falar de problemas de adulto na frente dela, mesmo que aparentemente não esteja prestando atenção, ela capta facilmente as dificuldades dos pais e teme pelo seu bem estar, transferindo essa sensação de medo por motivos reais, para circunstancias imaginárias.
Os pais devem resolver seus próprios medos para não transmiti-los a seus filhos e não passar preocupações desnecessárias aos pequenos, como por exemplo, que “papai do céu” está brigando quando há barulho de trovoada, no lugar disto deve-se falar apenas que é um aviso ou papai do céu está avisando que vai chover.
Devem lidar com a situação com o afeto, carinho e segurança, ouvindo atentamente a criança a fim de detectar o que exatamente a está assustando, e esclarecendo a ela com palavras simples e verdadeiras porque exatamente não há o que temer, transmitir segurança faz com que a criança sinta que pode superar o perigo.
O medo só é diminuído quando a situação temida é enfrentada pouco a pouco. Se o medo persistir, tomar forma de pânico ou fobia, ou os pais ficarem inseguros para lidar sozinhos com a situação devem consultar um psicólogo.

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Medo de sentir…

Texto de Rosemeire Zago

Muitas pessoas não sabem que o período da infância é decisivo para o desenvolvimento emocional e que podemos inconscientemente recriar as experiências traumáticas da infância quando adultos. Sim, muitos adultos que abusam de crianças foram crianças que também sofreram algum tipo de abuso. Muitos pais agressivos foram vítimas de pais também agressivos. Sim, muitas doenças são causadas pela repressão dos sentimentos. Muitos adultos não conseguem confiar em outra pessoa, porque não puderam confiar naqueles que deviam, acima de tudo, lhes respeitar e amar quando eram crianças. Ou seja, continuamos repetindo aquilo que tanto queremos esquecer.

Imagine que a criança vivencia seus sentimentos com muito mais intensidade que os adultos. Por exemplo, uma criança que sente raiva pelo abuso que sofre, quanto mais sua raiva for reprimida, mais ela se intensifica, podendo ser expressa em qualquer momento, e até contra ela mesma, adoecendo. O ódio e a raiva de uma criança podem ser reações às experiências traumáticas que teve e por não saber como lidar e nem ter com quem desabafar, podem ser expressas aparentemente de modo desproporcional.

A psicóloga Alice Miller diz: “Não se consegue educar uma criança para o amor com surras, ameaças e castigos. Nada disso pode tornar uma criança capaz de amar. Uma criança que só ouve sermões, só aprende a fazer sermões, e uma criança surrada, só aprende a surrar”.

A criança busca o amor dos adultos porque não pode viver sem ele, e responde a todas as demandas no limite das suas possibilidades. Para que possa assim manter sua sobrevivência, idealiza sempre que seus pais irão aceitá-la, amá-la, e por isso muitas vezes se cala. Toda criança precisa e tem o direito por respeito, atenção, carinho, afeto, compreensão e amor.

 


 

 

REPENSANDO OS CONCEITOS DE VIOLÊNCIA, ABUSO E 

EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E DE ADOLESCENTES

INTRODUÇÃO
Esta publicação é o resultado de pesquisa sobre os conceitos de violência, abuso e
exploração sexual de crianças e de adolescentes, realizada em 1998 por Eva T. Silveira
Faleiros e Josete de Oliveira Campos, pesquisadoras do CECRIA, com o apoio do
Departamento da Criança e Adolescente, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos
do Ministério da Justiça.

O relatório da pesquisa foi objeto de uma Oficina, que teve lugar em Brasília em
fevereiro de 1999, da qual participaram estudiosos dessa temática de diferentes
Estados do Brasil, e cujo relatório das discussões consta no anexo IV.
Uma análise inicial do vocabulário sobre o tema (anexo II) e do material bibliográfico
disponível revelou imediatamente uma imprecisão terminológica. Por exemplo, o
fenômeno do abuso sexual é designado por diferentes termos, como: violência sexual,
agressão sexual, vitimização sexual, exploração sexual, maus tratos, sevícia sexual,
ultraje sexual, injúria sexual, crime sexual. Para designar a violência sexual
intrafamiliar encontra-se os termos abuso sexual doméstico, violência sexual
doméstica, incesto, abuso sexual incestuoso. O uso sexual de menores de idade com
fins lucrativos é designado ora como prostituição infanto-juvenil, ora como abuso
sexual, ora como exploração sexual comercial. Por outro lado um mesmo termo pode
designar distintas realidades, como, por exemplo, o termo exploração sexual é
utilizado pela OMS para designar situações de abuso sexual intra e extrafamiliar e
prostituição, enquanto que muitos autores o utilizam referindo-se apenas à exploração
sexual comercial.
A utilização de diferentes termos como sinônimos e como se correspondessem a um
mesmo conceito não é apenas uma questão de terminologia, mas uma questão
epistemológica, ou seja, revela a falta de uma rigorosa e clara conceituação da
problemática.
A recente consciência, desvelamento e enfrentamento dessa problemática, bem como
sua complexidade e diversidade, explicam sua indefinição e confusão teórica e
conceitual.
Foi a partir dos anos 90 que essa problemática – tão visível e paradoxalmente
“invisibilizada” pelo moralismo, pelo machismo, pela tolerância social à mesma e pela
impunidade dos responsáveis – começou a preocupar defensores de direitos humanos e
trabalhadores na área de atenção à criança e ao adolescente, ligados principalmente a
ONGs e aos meios acadêmicos. É importante registrar que a mobilização em torno
dessa problemática deveu-se, e também se constituiu em reação, à investida 5
organizada, sistemática e agressiva de introdução e desenvolvimento do sexo turismo
no Brasil.
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica na qual foram estudados e analisados livros,
pesquisas e artigos, nacionais e estrangeiros. Uma das maiores dificuldades da
pesquisa deveu-se à originalidade do tema, pois não foi encontrada nenhuma outra
pesquisa similar, ou seja, sobre conceitos.
Optou-se por não se ater apenas aos conceitos encontrados, mas por uma
sistematização do material pesquisado, o que permitiu, por um lado, sintetizar e
articular uma parte importante da produção científica existente sobre essa
problemática, e, por outro lado, propiciou algumas importantes “descobertas” para a
compreensão e a caracterização das situações de abuso e de exploração sexual de
crianças e de adolescentes.
A pesquisa não se propôs construir conceitos, mas indicar pistas com vistas a uma
maior precisão teórica dos conceitos e da terminologia utilizados na área.
Pretende-se com esta publicação identificar as bases teóricas e conceituais desse
fenômeno, o que permitirá clarificá-lo e propor formas de designá-lo e conceituá-lo
que permitam avançar na sua compreensão.
É importante assinalar que por tratar-se de campo teórico-prático novo e em
construção a compreensão desse fenômeno e sua conceituação exigirão ainda muita
investigação e sistematização

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VIOLÊNCIA NA ESCOLA

Texto de  Jussara de Barros

A violência é um problema social que está presente nas ações dentro das escolas, e se manifesta de diversas formas entre todos os envolvidos no processo educativo. Isso não deveria acontecer, pois escola é lugar de formação da ética e da moral dos sujeitos ali inseridos, sejam eles alunos, professores ou demais funcionários.

Porém, o que vemos são ações coercitivas, representadas pelo poder e autoritarismo dos professores, coordenação e direção, numa escala hierárquica, estando os alunos no meio dos conflitos profissionais que acabam por refletir dentro da sala de aula.

Além disso, a violência estampada nas ruas das cidades, a violência doméstica, os latrocínios, os contrabandos, os crimes de colarinho branco têm levado jovens a perder a credibilidade quanto a uma sociedade justa e igualitária, capaz de promover o desenvolvimento social em iguais condições para todos, tornando-os violentos, conforme esses modelos sociais.

Nas escolas, as relações do dia a dia deveriam traduzir respeito ao próximo, através de atitudes que levassem à amizade, harmonia e integração das pessoas, visando atingir os objetivos propostos no projeto político pedagógico da instituição.

Muito se diz sobre o combate à violência, porém, levando ao pé da letra, combater significa guerrear, bombardear, batalhar, o que não traz um conceito correto para se revogar a mesma. As próprias instituições públicas se utilizam desse conceito errôneo, princípio que deve ser o motivador para a falta de engajamento dessas ações.

Aula motivadora que favorece a reflexão e o aprendizado

Levar esse tema para a sala de aula desde as séries iniciais é uma forma de trabalhar com um tema controverso e presente em nossas vidas, oportunizando momentos de reflexão que auxiliarão na transformação social.

Com recortes de jornais e revistas, pesquisas, filmes, músicas, desenhos animados, notícias televisivas, dentre outros, os professores podem levantar discussões acerca do tema numa possível forma de criar um ambiente de respeito ao próximo, considerando que todos os envolvidos no processo educativo devem participar e se engajar nessa ação, para que a mesma não se torne contraditória. E muito além das discussões e momentos de reflexão, os professores devem propor soluções e análises críticas acerca dos problemas a fim de que os alunos se percebam capacitados para agir como cidadãos.

Afinal, a credibilidade e a confiança são as melhores formas de mostrar para crianças e jovens que é possível vencer os desafios e problemas que a vida apresenta.

 


 

ESTRESSE NO INICIO DA VIDA PODE MODIFICAR OS GENES E O COMPORTAMENTO

Fonte: BBC News. 08 de novembro de 2009.

11 de novembro de 2009 (Bibliomed). Um estudo alemão recentemente publicado na revista científica Nature Neuroscience indica que o estresse nos primeiros anos de vida pode ter um impacto significativo nos genes, podendo resultar em problemas de comportamento. A partir de testes com ratos, os cientistas descreveram que os pequenos estressados produzem hormônios que modificam os genes, o que afetaria o comportamento ao longo da vida.

No estudo, os pesquisadores separaram os filhotes das mães três horas por dia durante dez dias. “Foi um estresse muito leve, e os animais não foram afetados em nível nutricional, mas eles se sentiram abandonados”, explicaram os autores. E eles notaram que aqueles que haviam se sentido dessa forma no início da vida eram menos capazes de lidar com situações estressantes ao longo da vida, além de apresentarem pior memória.

De acordo com os autores da pesquisa, esses efeitos são causados por “mudanças epigenéticas”, em que a experiência estressante muda o DNA de alguns genes. E esse processo ocorreria em dois momentos: quando os filhotes são estressados, produzem altos níveis de hormônios do estresse; e esses hormônios “ajustam” o DNA de um gene que codifica um hormônio específico do estresse chamado vasopressina. “Isso deixa uma marca permanente no gene da vasopressina”, explicou o cientista Christopher Murgatroyd, destacando que “esse gene é programado para produzir altos níveis desse hormônio ao longo da vida”.

Na pesquisa, os cientistas mostram que esse processo envolvendo a vasopressina está por trás de problemas de comportamento e de memória. Quando eles deram, aos ratos adultos, drogas que bloqueavam os efeitos do hormônio, o comportamento dos roedores voltou ao normal.

Os autores acreditam que os resultados dos testes com ratos possam ser replicados em humanos, e eles já estão investigando como o trauma na infância pode levar a problemas como depressão. “Há forte evidência de que adversidades como abuso e negligência durante a infância contribui para o desenvolvimento de doenças psiquiátricas, como a depressão”, destacaram. “Isso ressalta a importância do estudo de mecanismos epigenéticos nos distúrbios relacionados ao estresse”.

 


 

 

Maus tratos pode ser fisicamente doloroso para uma criança de imediato e a longo prazo 

Fonte

Nova pesquisa indica efeitos adversos sobre a saúde física, por décadas.

Uma pesquisa que acompanhou 1.000 crianças nascidas em 1970 na Nova Zelândia, e uma segunda pesquisa realizada com 2.200 crianças nascidas em 1990 na Grã-Bretanha descobriu que o estress e traumas causados por diversos tipos de violência, agressão, maltrato por adulto ou ter as necessidades básicas negligenciadas, na maioria dos casos essas crianças podem desenvolver problemas comportamentais ou emocionais. Esse dado já é conhecido por todos, mas esta pesquisa foi além, pois relata que as experiências de estresse também podem levar a alterações físicas escondidas no corpo de uma criança, ou seja além dos sintomas de ansiedade, depressão ou reações agressivas, esta criança pode ter efeito a longo prazo, ou seja, durante décadas em seu organismo.

“Estressores que precipitam problemas emocionais para as crianças pequenas também podem prejudicar a sua saúde ao longo da vida. O fardo das doenças do adulto podem ser reduzidos se conseguirmos melhorar o bem-estar psicológico das crianças.Grandes avanços tem sido feitos para desenvolver tratamentos eficazes para crianças com problemas emocionais e comportamentais, mas apenas uma fração dessas crianças recebem.” Relata os psicólogos norte americanos Terrie e Caspi Avshalom.

Ao menos em tese, pensar-se-ia na criança como um ser inserido no seu meio familiar do qual derivam, de forma natural e espontânea, todas as atenções afetivas e materiais que necessita para o seu normal desenvolvimento. Todavia, há ocasiões em que este mesmo núcleo familiar se torna hostil para com o menor, resultando no abandono, nos maus-tratos, nos abusos sexuais e, muitas vezes, até na morte.

Assim, os maus-tratos têm sido racionalizados, através dos tempos, pelas mais variadas justificativas conhecidas, desde práticas e crenças religiosas, motivos disciplinares e educacionais e, em grau mais amplo, com fins econômicos. As referências a abusos físicos extremos nos menores para conseguir retorno econômico dos seus ascendentes, não se podem considerar uma novidade. Foram freqüêntes durante a Revolução Industrial, mesmo em países tidos como mais desenvolvidos da época, como Grã Bretanha e Estados Unidos.

FAIXA ETÁRIA

Faixa etária 0-6 7-12 13-18
Freqüência 60 25 15

 

A AUTORIA DOS MAUS TRATOS

  Na nossa casuística, a autoria das agressões se distribui entre:

mãe

pai

mãe+pai

respons.

43

33

10

14 

 

PRINCIPAIS CAUSAS (%)

Alcoolismo  Desorganização 
Familiar
Distúrbios 
Psiquiátricos 
Distúrbios 
de Comportamento
50 30 10 10

Trecho do texto de autoria de :  
Paulete Vanrell, MD, DSc, LLB, BSE, médico legista, especialista em Medicina do Trabalho. Professor de Psicopatologia no Curso de Psicologia Clínica da FARFI, São José do Rio Preto (SP), Professor de Medicina Legal no Curso de Direito das FIRP, São José do Rio Preto (SP), Professor de Medicina Legal e de Criminologia da Academia de Polícia de São Paulo. Fellow, Department of Pathology, Dartmouth Medical School, NH, USA (1970). Pesquisador Convidado, Departamento de Genética da Universidade Nacional Autônoma do México (1971).Email: mailto:pericias.jpv@terra.com.br

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BULLYING

PROGRAMA DE REDUÇÃO DO COMPORTAMENTO AGRESSIVO ENTRE ESTUDANTES

ESTUDOS INICIAIS

Um breve histórico
http://www.bullying.com.br/BBibliograf23.htm#Breve”

Programas propostos
http://www.bullying.com.br/BBibliograf23.htm#Proposto

Um breve histórico

Entende-se por BULLYING todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executado dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima.
Diversos pesquisadores em todo o mundo têm direcionado seus estudos para esse fenômeno que toma aspectos preocupantes, tanto pelo seu crescimento, quanto por atingir faixas etárias, cada vez mais baixas, relativas aos primeiros anos de escolaridade. Dados recentes apontam no sentido da sua disseminação por todas as classes sociais e uma tendência para um aumento rápido desse comportamento com o avanço da idade, da infância à adolescência.

No estudo realizado pela ABRAPIA, 40,5% dos 5785 alunos de 5ª a 8ª séries participantes admitiram estar diretamente envolvidos em atos agressivos na escola.
Durante a década de 90, ocorreu na Europa, um número considerável de pesquisas e campanhas que conseguiram reduzir a incidência de comportamentos agressivos nas escolas.

Tudo teve início com os trabalhos do Professor Dan Olweus, na Universidade de Bergen – Noruega (1978 a 1993) e com a Campanha Nacional Anti-BULLYING nas escolas norueguesas (1993). No início dos anos 70, Dan Olweus iniciava investigações na escola sobre o problema dos agressores e suas vítimas, embora não se verificasse um interesse das instituições sobre o assunto. Já na década de 80, três rapazes entre 10 e 14 anos, cometeram suicídio. Estes incidentes pareciam ter sido provocados por situações graves de BULLYING, despertando, então, a atenção das instituições de ensino para o problema.

Olweus pesquisou inicialmente cerca de 84.000 estudantes, 300 a 400 professores e 1.000 pais entre os vários períodos de ensino. Um fator fundamental para a pesquisa sobre a prevenção do BULLYING foi avaliar a sua natureza e ocorrência. Como os estudos de observação direta ou indireta são demorados, o procedimento adotado foi o uso de questionários, o que serviu para fazer a verificação das características e extensão do BULLYING, bem como avaliar o impacto das intervenções que já vinham sendo adotadas.

Nos estudos noruegueses utilizou-se um questionário proposto por Olweus, consistindo de um total de 25 questões com respostas de múltipla escolha, onde se verificava a freqüência, tipos de agressões, locais de maior risco, tipos de agressores e percepções individuais quanto ao número de agressores (Olweus, 1993ª). Este instrumento destinava-se a apurar as situações de vitimização/agressão segundo o ponto de vista da própria criança. Ele foi adaptado e utilizado em diversos estudos, em vários países, inclusive no Brasil, pela ABRAPIA, possibilitando assim, o estabelecimento de comparações inter-culturais. Os primeiros resultados sobre o diagnóstico do BULLYING foram informados por Olweus (1989) e por Roland (1989), e por eles se verificou que 1 em cada 7 estudantes estava envolvido em caso de BULLYING.

Em 1993, Olweus publicou o livro BULLYING at SCHOOL apresentando e discutindo o problema, os resultados de seu estudo, projetos de intervenção e uma relação de sinais ou sintomas que poderiam ajudar a identificar possíveis agressores e vítimas. Essa obra deu origem a uma Campanha Nacional, com o apoio do Governo Norueguês, que reduziu em cerca de 50% os casos de BULLYING nas escolas. Sua repercussão em outros países, como o Reino Unido, Canadá e Portugal, incentivou essas nações a desenvolverem suas próprias ações

O programa de intervenção proposto por Olweus tinha como características principais desenvolver regras claras contra o BULLYING nas escolas, alcançar um envolvimento ativo por parte de professores e pais, aumentar a conscientização do problema, avançando no sentido de eliminar alguns mitos sobre o BULLYING, e prover apoio e proteção para as vítimas. Com o sucesso da Campanha Nacional Anti-Bullying realizada na Noruega, diversas campanhas e estudos seguiram o mesmo caminho, dos quais podemos destacar o The DES Shefield Bullying Project–UK, a Campanha Anti-Bullying nas Escolas Portuguesas e o Programa de Educação para a Tolerância e Prevenção da Violência na Espanha, entre outros.

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Atualmente, diversas pesquisas e programas de intervenção anti-bullying vêm se desenvolvendo na Europa e na América do Norte. Recentemente um projeto internacional europeu, intitulado “Training and Mobility of Research (TMR) Network Project : Nature and Prevention of Bullying”, mantido pela Comissão Européia, teve a sua conclusão em 2001. Este projeto, que englobava Campanhas do Reino Unido, Portugal, Itália, Alemanha, Grécia e Espanha, teve os seguintes objetivos:
Diagnosticar as causas e naturezas do BULLYING e da exclusão social nas escolas;

Verificar as causas desses problemas em diferentes sociedades e culturas;

Verificar as conseqüências em longo prazo, até a vida adulta;

Avaliar os programas de intervenção prósperos;

Identificar modos de prevenção desses problemas, por meio da integração de diferentes metodologias de estudo

Alguns aspectos observados nestes Programas foram:

Maior parte dos alunos entrevistados diz nunca ter sofrido situações de BULLYING na escola;

A maioria dos agressores encontra-se na própria sala das vítimas, principalmente nas séries iniciais;

Os meninos tendem a ser agredidos principalmente por meninos, enquanto que as meninas por ambos os sexos. Os meninos também admitem agredir mais do que as meninas;

As agressões ocorrem principalmente durante os recreios e na sala de aula;

A metade dos alunos entrevistados espera que o professor intervenha nas situações de agressão na sala de aula.

Entre os alunos que se dizem agredidos, 50% admitem que não informam o ocorrido nem aos professores e nem a seus responsáveis

Diversas discussões com os representantes das escolas participantes no programa foram desenvolvidas para obtenção de alguns princípios básicos na política de intervenção. Dentre as ações implementadas deve ser destacado o envolvimento de professores, pais, autoridades educacionais e alunos, buscando definir com clareza o fenômeno do BULLYING, e estabelecer as diretrizes necessárias para o desenvolvimento de estratégias que possam ser executadas por todos.

O objetivo principal era o de sensibilizar toda a comunidade escolar para apoiar os alunos alvos de BULLYING, fazendo com que se sentissem seguros para falar sobre a violência que vinham sofrendo. Programa entendia as escolas como sistemas dinâmicos e complexos e que não poderiam ser tratadas de maneira uniforme, pois a realidade de cada uma delas é baseada nas experiências de seus alunos, de seus professores e da comunidade.

Conseqüentemente, as estratégias e ações aplicadas deveriam ser definidas individualmente Estabeleceu-se que, em cada unidade de ensino, seria criado um Conselho, formado por representantes da comunidade escolar, capaz de definir e priorizar as ações, de acordo com os contextos sociais e políticos locais, buscando-se, assim, as soluções mais factíveis para a resolução dos problemas relacionados ao BULLYING.

Dois aspectos de grande relevância, identificados em todos esses Programas, mereceram destaque: o número expressivo de crianças envolvidas em práticas agressivas, sejam alvos, autores ou testemunhas, e a constatação de que o número de alvos é sempre superior ao número de autores.

A partir desses trabalhos, vários estudos foram realizados com a finalidade de verificar o fenômeno sob diversos aspectos. Hoje é reconhecido que o BULLYING, como fenômeno social, pode surgir em diversos contextos, como parte de problemas de relações pessoais entre adultos, jovens e crianças em diferentes locais, como: trabalho (workplace BULLYING), prisões, asilos de idosos, ambiente familiar, clubes e playgrounds, entre outros.

Fonte: http://www.abrapia.org.br

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PILARES

Texto de Suzana Lakatos e Fábio Mello.

Fonte 

Os pais começam a se preocupar com o futuro dos filhos cada vez mais cedo. A antiga segurança de que o diploma universitário garantiria um bom emprego já não existe. E uma pesquisa do IBGE de 2006 mostrou que 53% dos brasileiros trabalham em profissões diferentes daquelas para as quais se formaram. “Da noite para o dia, surgem novas ocupações, enquanto outras ficam obsoletas”, diz a consultora Rijane de Mont’Alverne, presidente do conselho deliberativo da ABRH Nacional – Associação Brasileira de Recursos Humanos. Nesse cenário, a boa formação acadêmica é apenas o bilhete de ingresso para uma dança das cadeiras, em que a conquista de um lugar exige competências que não se aprendem na escola. “Hoje se considera que apenas 15% do sucesso profissional deva-se à formação acadêmica”, afirma a psicóloga Mary Nicoliello, que orienta executivos e adolescentes em busca de preparação profissional. “Os 85% restantes estão ligados a questões comportamentais, como a habilidade de lidar com o inesperado, a autonomia e a capacidade de interagir com culturas e pessoas diferentes.

“Por que de repente essas características se tornaram tão importantes? Em parte, a explicação está no boom de tecnologias a partir dos anos 80. “Atualmente, você interliga experiências, cria redes de interesses sem restrições geográficas e qualquer um aprende com facilidade inúmeras atividades”, analisa o psicoterapeuta Leo Fraiman, da Teenager Assessoria Profissional, em São Paulo. Com isso, as competências comportamentais tornaram-se um valor de mercado. “Os grandes diferenciais hoje, atitude e caráter, são desenvolvidos desde a primeira infância. A escola pode até ajudar, mas a família é determinante”, garante o headhunter Luiz Carlos Cabrera, professor de gestão de pessoas da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. Já se sabe que crianças cujos pais participam da vida escolar têm melhor rendimento, disciplina e habilidades sociais. Mas é possível ir além. “O segredo é estar próximo do garoto ou da garota e avaliar aspectos como iniciativa, coragem, dinamismo, empatia, criatividade, capacidade de lidar com adversidades e facilidade de relacionamento. O segundo passo é investir em atividades esportivas e artísticas que ponham à prova os pontos fracos de cada um. A natação, por exemplo, exige disciplina, enquanto a música desenvolve o raciocínio lógico e a criatividade”, aconselha Cabrera. No dia-a-dia, com pequenas atitudes, você pode contribuir para o desenvolvimento das dez competências e habilidades que vão fazer do seu filho um profissional bem-sucedido e antenado com o futuro. Veja quais são elas e que parte cabe a você.

Flexibilidade
Os avanços em todas as áreas acontecem cada vez mais rápido. É fundamental cultivar múltiplos interesses, manter-se atualizado e estar disposto a abrir mão de antigas convicções em favor das novas descobertas. Também não dá para saber o que será essencial no futuro. Por isso é tão importante cultivar a desenvoltura para transitar por diferentes ocupações.
O QUE AJUDA: ”O hábito da leitura é básico em um mundo que exige formação continuada”, aconselha Leo Fraiman. Os livros ensinam a pensar, imaginar, criar, analisar o mundo e as pessoas.” Por isso, vale a pena estimular seu filho a ler, mas também é ótimo compartilhar os livros e conversar interessadamente sobre o que ele está lendo.

Convivência
Conviver e lidar com pessoas de outras culturas, ritmos, estilos, valores e crenças é indispensável no mundo atual, de acordo com Leo Fraiman. Hoje, a maioria das empresas de sucesso procura recrutar perfis diferentes para reproduzir internamente a realidade do mercado. Como as organizações estão cada vez mais enxutas, características como bom humor, respeito e educação facilitam o convívio.
O QUE AJUDA: Estabeleça limites claros e exija que seu filho os cumpra. Mostre a importância de respeitar regras, como horários e uso do uniforme escolar. Ensine-o a perceber os códigos sociais de cada situação – como adotar postura e roupa adequada ao ambiente – e a desenvolver empatia pelas necessidades e valores das outras pessoas.

Iniciativa
É um trunfo surpreender o cliente ou o empregador com soluções que ultrapassem as expectativas. Em um mundo dinâmico e em constante transformação, ficar preso a antigas fórmulas pode ser um tiro no pé para o desenvolvimento de uma carreira de sucesso.
O QUE AJUDA: Proporcione programas variados – nas artes, na música, no esporte – para que seu filho adquira interesses diversificados e se sinta especialmente motivado a buscar atividades em áreas múltiplas. Além disso, segundo Fraiman, ele precisa ser treinado para “se virar”: tornar-se independente e buscar soluções para os problemas. Os pais podem oferecer apoio, mas devem resistir à tentação de resolver tudo no lugar dele.

Ética
As próximas gerações precisarão adotar posturas íntegras em relação a trabalho, colegas, fornecedores, clientes e parceiros. As empresas estão cada vez mais aprendendo que o “jeitinho” pode comprometer sua imagem e levar à perda de negócios. A sustentabilidade é outro lema atual do mundo corporativo e implica ser ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável. “Na rotina profissional, isso se traduz em atitudes como não querer tirar vantagem do outro, remunerar adequadamente funcionários e prestadores de serviços, pagar impostos e reciclar materiais”, ensina Tania Casado, professora de gestão de pessoas da Faculdade de Economia e Administração da USP.
O QUE AJUDA: Valores claros dentro de casa contribuem para consolidar atitudes éticas. “Pais que não respeitam semáforo, jogam lixo pela janela do carro e desperdiçam água e energia não podem esperar que o filho tenha condutas corretas”, alerta Tania. “Os exemplos começam em casa.” Outra boa medida é discutir em família fatos cotidianos que coloquem aspectos éticos em xeque, como os recentes casos de corrupção.

Criatividade
Está ligada à capacidade de mudança e inovação, à imaginação, à sensibilidade e ao senso estético. No dia-a-dia de uma empresa, significa aceitar que existem diferentes saídas para um mesmo problema.
O QUE AJUDA: Varie os caminhos entre casa e escola, busque programas diferentes para realizar em família e proponha desafios, como o de preparar a própria comida em vez de descongelar uma pizza. Idas ao cinema, teatro, exposições e espetáculos devem ser incentivadas, pois essas atividades alimentam a imaginação.

Escolha
Curso de inglês ou de música? Intercâmbio cultural agora ou uma poupança para fazer MBA no exterior mais tarde? “Boas escolhas exigem boa visão de conjunto, análise de prós e contras, percepção de diferentes perspectivas e pensamento em curto, médio e longo prazo.” É assim que Fraiman define essa capacidade, que con sidera essencial em todos os momentos da vida – seja para se posicionar diante dos pequenos dilemas do cotidiano, seja para tomar decisões em uma mesa de negociação.
O QUE AJUDA: Convide seu filho a participar de decisões em família e a avaliar com você os aspectos bons e desfavoráveis de cada alternativa. Da escolha do restaurante no domingo à roupa adequada a um evento, estimule- o a selecionar o que acha mais razoável e explique que nem sempre se pode ter ou fazer o que se deseja.

Auto-estima
“A convicção de ter um papel ativo no mundo e a confiança na própria capacidade caracterizam a auto-estima, que fornece a coragem necessária para levar adiante qualquer projeto”, define Fraiman. Mas ela não deve ser confundida com o ego inflado de quem se acha capaz de tudo”, explica. Segundo ele, as pessoas mais felizes não são as que se dedicam mais ao lazer, mas as que estabelecem um maior número de atitudes construtivas com o mundo. Isso faz com que se sintam úteis e importantes.
O QUE AJUDA: Incentive seu filho a participar socialmente e a ter posturas positivas diante da vida. Se ele é do tipo que vive fazendo projetos grandiosos, ajude-o a planejar metas parciais e objetivas, mais possíveis de alcançar, para que siga acreditando na própria capacidade de realizar sonhos. Na hora de fazer uma crítica, procure condenar o comportamento e não a pessoa.

Maturidade
Essa qualidade envolve responsabilidade, disciplina e integridade. “Muito do caos que se vê no país de hoje, como a recente crise no setor aéreo, é um reflexo da falta de maturidade e de comprometimento com os resultados por parte de dirigentes de todas as esferas administrativas do país”, afirma Fraiman.
O QUE AJUDA: Encarregue seu filho de ajudar nas tarefas domésticas e cobre-o por elas. Diante de pedidos fúteis, procure deixar clara a diferença entre “querer” e “precisar”. Exigir que peça desculpas quando pisar na bola pode soar artificial, mas é importante para que ele tome consciência das possíveis conseqüências dos seus atos.

Controle
Em tempos de competição acirrada, quem respeita os próprios limites e aprende a relaxar na hora certa tem maior serenidade para fazer boas escolhas, focar metas, eleger prioridades e lidar com fatos novos.
O QUE AJUDA: Não sobrecarregue seu filho com o excesso de tarefas. Estabeleça uma rotina que o ajude a conciliar responsabilidade e lazer, como fazer a lição primeiro e sair com os amigos depois. Incentive-o a montar uma agenda selecionando os compromissos da semana e mostre que uma boa organização evita desgastes desnecessários.

Comunicação
Significa dizer o que pensa, mas na hora certa, para a pessoa certa e do jeito certo. Essa qualidade envolve a capacidade de expressar idéias e pensamentos, sempre de maneira clara, fluente e organizada.
O QUE AJUDA: Observe a maneira como seu filho se expressa. Analise se ele usa muitas gírias e se consegue estabelecer uma linha de raciocínio lógica. Estimule a discussão sobre temas polêmicos e, principalmente, converse muito a respeito dos mais variados assuntos.

PILARES DO SUCESSO

“O desafio é educar o jovem para o trabalho, e não para o emprego.” Quem faz o alerta é Luiz Carlos Cabrera, professor de gestão de pessoas da FGV-SP. Segundo ele, no futuro não haverá emprego para todos, mas não faltará trabalho para quem tiver espírito empreendedor. “Os pais podem ensinar o filho a administrar a própria vida, por exemplo distribuindo a renda dele, mesmo que ela seja uma pequena mesada, em ‘fundos’, aos quais poderá recorrer mais tarde”, orienta Cabrera. “Eles devem pensar no filho como alguém que um dia buscará um lugar no mercado”, acredita Tania Casado, professora de gestão de pessoas da FEA-USP. Ela destaca os três pilares do sucesso:

KNOW-HOW É o que se aprende na escola, como os idiomas. Sempre foi um aspecto muito valorizado.
KNOW-WHY Implica motivar o filho a se conhecer e descobrir os próprios desejos e talentos naturais.
KNOW-WHO É a rede de relacionamentos, ou network. Essas relações devem ser fortalecidas com comportamentos éticos e responsáveis. Isso porque, no futuro, seus membros poderão indicar o jovem a uma vaga, facilitar um contato ou plano de carreira.

 

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